Maria e o Advento de Deus

Advento significa, entre outras coisas, chegada, surgimento, vinda. É também começo, início de algo, seja um tempo ou uma situação. A liturgia católica tem um tempo chamado tempo do Advento, no qual tem início o seu calendário litúrgico, e também nesse tempo começa o ano litúrgico, com seus outros tempos, com celebrações, festas, solenidades, enfim, toda a atividade litúrgica da Igreja tem seu começo neste tempo. Porém, o que mais se destaca neste começo de ano litúrgico, e neste tempo chamado advento, é a preparação para o Natal de Jesus, isto é, o seu nascimento. Portanto, não é por acaso que a Igreja tem no seu calendário esse tempo inicial, no qual o destaque recai para a vinda, o nascimento de Cristo. Assim sendo, a figura de Maria é fundamental neste tempo, porque ela foi à escolhida para gestar no seu ventre o Menino Deus, ou o Deus que se fez gente. A beleza deste tempo é indescritível e Maria participa dessa beleza ensinando-nos como preparar a chegada de Jesus. Por essa razão, cabe aqui uma reflexão sobre Maria no advento de Deus neste mundo, isto é, aquela que possibilitou a vinda de Deus ao meio de nós, através do seu Filho Jesus.

Maria é uma figura humana. Há quem pense que os católicos adoram Maria e a coloque no lugar de Deus. Pura desinformação, ou carência de formação teológica, quem pensa assim. Maria não é vista pelos católicos como uma deusa, mas como uma mulher que por ter portado no seu ventre o Filho de Deus, tem um “quê” de divindade, ou uma parcela de divindade, pois além de ter sido criada a imagem e semelhança de Deus, como qualquer ser humano, portou por nove meses o Filho de Deus no seu ventre – por isso rezamos na oração da Ave-Maria, “bendito é o fruto do teu ventre, Jesus”. E, além disso, ela cuidou dele como uma mãe cuida de seu filho, pois ele era de fato seu filho. Tudo dentro dos procedimentos humanos, pois Deus não quis ser diferente. Se Deus quisesse ser diferente não teria escolhido nascer de uma mulher, mas viria de outra forma ao mundo. Assim, ele quis ser semelhante a nós, exceto no pecado. E Maria participou desse processo, sendo agraciada pela pureza de manchas, do pecado original, do qual todo ser humano está sujeito. Pura graça de Deus que se tornou dogma da Igreja. O dogma da Imaculada Conceição, ou concepção, como a palavra significa. Assim, Maria é humana com uma acentuada parcela divina, mas não é Deus e nem uma deusa. É a Mãe de Jesus e isso é suficiente para que tenhamos por ela veneração (não adoração).

Por ser humana, ela passou por situações difíceis como qualquer ser humano. Ela teve inseguranças, medos, dúvidas, dores, enfim, tudo o que uma pessoa, mãe, vive ao longo de sua vida. Por isso, ela se parece com muitos de nós, e isso nos faz mais próximos dela, exceto no pecado que não apenas nos distancia dela como de Deus. Mas se o pecado entrou no mundo, o mundo tem que lidar com ele, e é por isso que tanto precisamos de Deus, como Maria precisou de Deus. Ela precisou de Deus, sobretudo quando se viu diante de uma proposta inusitada, a de ser a Mãe do Filho de Deus. Um anjo vem e lhe faz a proposta (Lc 1, 26). Ela titubeou, teve medo, ficou perturbada (Lc 1, 29).

Você já teve medo de alguma situação, acontecimento ou pressentimento? Imagino que sim. E quem não tem? Mas não se assuste, ou seja, não tenha medo, você não está sozinho/a, pois até Maria, a Mãe de Jesus, teve medo. Sim, ela teve medo porque era humana, como foi dito, e como todo ser humano, por mais que Deus estivesse com ela, ela sentiu medo. Porém, Deus nos ensina a superar o medo mostrando que ele está conosco. Ele é o “Emanuel”. Essa palavra, ou nome significa exatamente isso: Deus conosco. Por isso Jesus é chamado também de “Emanuel”.

Quando a Igreja celebra a Imaculada Conceição de Maria, no dia 08 de dezembro, que, em outras palavras, significa a celebração da sua imaculada concepção, ou seja, àquela que concebeu um filho sem pecado, ou sem a mancha do pecado original, que encontramos no livro do Gênesis, vemos que Deus tratou de reparar esse pecado da humanidade dando o seu Filho através de uma mulher que ficou isenta do pecado. Fez isso porque ama a humanidade.

Assim, como diz a carta aos Efésios (1, 4), ele nos quer santos e irrepreensíveis, ou seja, ele nos quer imaculados, isto é, sem máculas, sem machas, sem pecados. E isso é possível, porque para Deus nada é impossível. Quem disse isso foi o próprio Anjo de Deus, Gabriel, a Maria, mostrando que ele já havia feito esse milagre com sua prima Isabel que estava no sexto mês de gravidez. Isabel era estéril e de idade avançada, ou seja, humanamente impossível de ficar grávida.

Se para Deus nada é impossível, então é possível que pessoas tão limitadas e pecadoras como nós alcancemos diante dele a sua Graça. Que belo anúncio, bem próprio do tempo do Advento, mas não só neste tempo. Conhecer o Deus do impossível é bom em qualquer tempo, em qualquer dia e hora. Mas é neste tempo, chamado de advento, que Deus nos pede mais acentuadamente que sintamos como Maria, ou seja, pessoas que estão gestando o Menino Deus dentro de si. Só que essa gestação agora é no coração. Quem está gerando Jesus no seu coração mostra isso com pensamentos, atos e palavras. É a tão dita e bendita conversão da qual tanto nos fala a liturgia do tempo do Advento.

E você, também se sente gestante de Jesus? Se sim, você já está no clima do advento. Se não, você ainda precisa ouvir e sentir a voz do anjo lhe dizendo: “alegra-te, Deus está com você”. Se não confiarmos que Deus está conosco, tudo fica mais difícil e o medo toma conta de nós. O medo de Maria foi um medo passageiro.

Tanto é que ela confiou no Anjo e disse sim, colocando-se a disposição de Deus para que Deus fizesse nela a sua Palavra, ou seja, que o verbo dele nela fizesse carne. E assim tivemos Jesus.

Esse Jesus, filho unigênito de Deus cujo nascimento nós celebramos no Natal. Esse é motivo de alegria. Evangelii Gaudium, ou seja, alegria do evangelho, como disse o Papa Francisco numa de suas Encíclicas. Alegremo-nos e nele exultemos. O Senhor está conosco!
Que Maria, Imaculada, nos ajude a sermos menos indignos de ter o seu filho em nossa morada, em nosso coração, como dizemos na missa, na hora da comunhão: “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo”. Basta uma palavra dele. Bastou uma palavra Dele e Maria se tornou imaculada! Uma palavra dele nos torna imaculados. Uma Palavra de Deus nos basta.

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